O frio sentir do meu rosto.





Qualquer coisa eclode em meu dormir,
Um som extenso, intenso, estrangeiro
Entra p’la noite e em mim adentro ,
Toda’noite calada, excita meu sentir

De corvo dileto, que coabito na noite, visitante
Do mau agoiro, no sangue-frio da alma,
Qualquer coisa rodeia meu dormir,
Angustia, tragédia, danação de viúva morta,

Do passadouro do pilar-comum da vida,
Vem um rumor oculto, quase choro, balio
Vazio de rostos e sentidos de quem não vive,
Quantas vezes penso fugir, eu preso no limbo,

Do que eclode em meu dormir e peso
O som, peso a angustia, em mim criada…
-Criado velho, tal o meu anseio arcaico,
Da transfiguração, da maldição infinita,

Qualquer coisa de roda no meu dormir,
Um prazer infame de gestos frios, carentes,
Parceiros do inatural som, que em mim não dorme,
Como a noite tardasse em apagar o mundo,

Assim meu estranho coração apagou, dum-todo.
Gostaria de sentir o que os outros sentem, a meias,
E eu mesmo sentiria, veias minhas
Nas coisas que digo velhas, frias.


Parecem queimar como bagaço ardente,

 Na verdade é uma maldição,

Aquilo que carrego desde que trasvisto,

No espelho, o frio sentir do meu rosto.




Jorge Santos (11/2014)


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