Se te desse a lua...




Se te desse a lua,


Se dessa lua me ouso lavar,
Pois me deste tu a lua só,
Dou-te eu o mar enchente,
Se nesta lua houve um mar,

Atlantes, dantes homens-peixes...
Se te desse a lua nova à talhada,
Encantado seria eu na voz, na pele
E devoto do crescente, doravante

Pra louvar d'hora
A hora e por diante, escama
Do tempo sem tempo,
Tal como a memoria dum "Olifante"...

Se te desse a lua,

Iria de bicicleta, directo
A ela como quando saía da escola,
Antes de me estatelar,
Na areia do sopé, no escorrega

Lua cega, me lembra
O começo quando lançava
Flechas ao vento e o tempo
Não mais me abalava, lua sem peso

M'alembro do teu luar,
Se te desse a lua, lavava
Os meus olhos no mar,
Se te desse a lua,

Secava ao sol, as lágrimas e o sal...


Jorge Santos (19/06/2015)
http://joel-matos.blogspot.com

1 comentário:

Jorge Santos disse...

A vida não suporta o ermo lunar, requer um toque divino e feminino infinitesimal q.b.e que permanecerá depois dos Deuses morrerem,eles todos e das essenciais mutações se processarem para que a vida permaneça viva e bonita mesmo sem que, de viva voz ou ao vivo, nós a presenciemos.
Desejamos o impossível, o inútil,lançamos ao vento na esperança que renasçam as sementes do que pensamos ser vitorias e batalhas que outros seres vivos,também eles divinos e crentes a sua maneira, perderam batalhando.
Somos donos de uma alma insatisfeita, lunar e mesmo misteriosa, possuída de esperança hereditária,conquistámos a Inteira Terra e pouco mais porque o infinito não é possível ser possuído e porque temos dúvidas que em nós mesmos possa ocultar-se a porta do futuro.
Olhamos para o céu, comovidos por que ele assim seja e não como uma esperança de vida, um laço que nos prende ao infinito parente afastado.impassível...
O ermo não suporta vida, apenas a preciosa duração de um sentir, tal como o universo em nós.
O cheiro que tinha o primeiro instante, o momento primordial é o respirar quando cheira a chuva à terra.
No entanto existe uma lembrança ainda mais espantosa, uma saudade no fundo dos nossas almas, sem explicação, de alguma coisa desconhecida que não podemos evitar sentir, por tão simples o apelo com que a vida se cerca por todos os sentidos e de todos os lados e que devemos seguir e amar com toda a paixão como se fosse e sendo o respirar do planeta em uníssono connosco, celebrando a vida.
O futuro é um sonho, recomeça sempre, se mantivermos o sono cheio dos despertares garantidos pela felicidade das viagens do passado...

tradutor

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