Estranhos cultos ...





O que tememos ter é sentires ocultos, estranhos ...

O que tememos é ter sentidos diferentes,
Ocultos em tudo o que sonhamos e ser
Estrangeiros na global casa e na nossa,
Embora íntimos quanto do acorde a viola,

O que temos é sentidos efémeros,
Tão breves, tão tímidos por vezes
Que nem sentimos ter e quantos,
Quanto mais pensar que possa haver

Sentidos sem intenção outra menos perene
Ou fé mansa de sentir e sentir somente
Sob qualquer recolhido véu, céu, derrota
Ou dó, assim como sentir que passa

Uma sombra, sem a lembrar de ver, possamos 
Apenas sentir no ar o correr do vento,
Tão breve quanto oculto e mudo,
Tão só temos sentidos efémeros, imperceptíveis

Quanto o real é ser uma espécie de visão
De sonho comum, no fundo nós
Somos o que sentimos, transitórios, passionais
E terrenos embora sejamos passageiros

Do que nada sabemos, sentimos
Como vivendo ao vivo nossos sentidos
Tímidos, íntimos do que a alma sonha,
Efémeros quanto belos ...sejamos estranhos

Bastante, desajustados sensoriais, sensacionais,
Não tenhamos receio de sentir demasiado .




Jorge santos (12/2016)
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A-Marte






Por ti fundei o movimento dos corpos 
E o drama dos quiscentes da alma,
A consciência que morro cada passo ou
Momento que passa, por ou sem querer,

Por ti fundei uma torre chã que nem negro
Cedro ou como fosse giesta escura,
Assim o breu e a noite negra tricotada.
Por ti fundei o ar e o chão que em volta

É frio como deve ser o frio e o ter corpo,
Movimento e consciência da morte.
Por ti fundei o sentir que escapa ao espaço,
Ao cujo que na alma reconhece

O tom ou a cor dos cedros parecendo aço que 
Por ti plantei ao longo dos caminhos, no topo,
E o movimento nos astros que tremem
Por, ou sem querer ser mudos, apenas sóis 

Por nós alcançaveis, alcançareis um deles,
Longe a consciência da morte, antecipo
O futuro longe, longe, longe, longe
Em Marte ...Por ti fundirei o aço ao enxofre...



Jorge Santos (11/2016)
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pra sempre ...






Sigam os nossos pés ciganos
Por onde sigam pisamos
Incondicionalmente e sempre
O mesmo chão de filhos e netos.

Há que aprender o voar secreto
Das aves no paraíso supremo
Pra suspender os pés no ar
E aliviar as pegadas do peso 

Em excesso e que cresce dia 
A dia quando caminhamos
Calçando os sapatos de sempre
E os mesmos de toda a gente, 

Ciganos são os pés meus que sigo,
Por onde prossigamos nossas vidas
São os espíritos e não nós quem 
Caminha ou se voamos na mente

De nossos netos e filhos pra sempre,
Incondicionalmente suspensos
Nas estrelas e nos horizontes céus
Não somos nós, é o voar de quem

Aprendeu das aves o segredo
E caminha sem peso nas madrugadas
E ao anoitecer e em todos esses céus
De fogos suspensos pra sempre vivos,

Pra sempre ...


Jorge Santos (10/2016)
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Conseguisse eu ...




Conseguisse eu conversar
Num peculiar, anónimo 
Ou mesquinho remédio
Anódio, placebo sem efeito
Quanto a melodia 
Que tenho vindo a cantar
No meu canto peculiar
Vago, conseguisse eu
Dar a um bardo encanto
Que conduzisse a vontade quando
Alheia ao que falo sem efeito,
Pois se tudo o que digo respiro
De verdade como converso
Em estrangeiro, 
Essa língua materna
Da ilusão que se sente
Numa única frase, 
(Se a quisermos achar)
A melodia que tenho vindo
A cantar,
Conseguisse eu,estrangeiro
Achar-me na vossa alma
Peculiar quanto baste
E branco …
Jorge Santos (10/2016)
htp://namastibetpoems.blogspot.com

Aquando dormem as estrelas ...






Aquando dormem as estrelas, 
Dedico a alma a evocar o dia
Na quinta que rodeia o coração
Meu, como um mundo onde existo

E sou seu ,aquando dormem as 
Estrelas consigo pôr a alma fora
E a noite dentro do peito,evoco
O dia por receio de não amanhecer

Numa parte da alma e não em todo o céu,
Aquando dormem as estrelas em
Minha roda a lua é minha esposa,
Minha terra e esta alma confusa

Dedica-se a evocar o dia que destrói,
Tal como se fosse nação da guerra,
O sol, embora sendo igual o pó
Desta terra e os escombros que tem,

Aquando dormem as estrelas, no céu
E em mim repousam ou dançam de roda
Evocando o que há-de o ser novo dia
E é vida, antes coisa nenhuma,

Aquando dormem as estrelas, nos montes
Meu coração corre e canta ao meu ouvido
Coisa alguma, suposto seria eu escutar
Quanto o coração sonha dentro, em mim 

Vigia meu sonhar único, colado ao ouvido
Atento, na penumbra aquando dormem
as estrelas e o céu rebola e rola ...



Jorge Santos (09/2016)
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tradutor

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