"Deo-ignoto", Ateu




“Deo-ignoto”
Sendo dos que na força de irem tudo põem, 
Não inspiro nem acho o sítio onde ir e estar,
Sala ou quarto de Lua ou penhasco, tudo é
Falso, andaime ou lusco-fusco o que me fiz
Ser, quanto ao sítio, figuro que não existe
Nem desejo há, de tê-lo ante mim tendo-o
Onde não chegarei mais. nem estes covardes 
E estéreis cotovelos, castrado eunuco sou
Eu, sopé do mundo, rude-hebreu, “Deo-ignoto”
Ateu, consola-me conviver com a chuva-triste
E a sombra do que não existe mas se admite
Como sendo silêncio físico, crepúsculo e magia,
Sendo dos que na força de irem tudo põem,
Comporto-me segundo a intuição e não a ciência
Como instituição palpável probatório fixa
E o ir faz parte da descontaminação e da educação
Do fugir ao vulgar e à vulgaridade do sítio a fingir,
A fuga cria a diferença entre o criador e o incriado,
Invisíveis mas pares na arquitectura íntima
De todos os sonhos que tenho na beira do mundo.


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