Enfim livre...




Apetece ser livre e natural
O instinto não quer prisão,
Assim como uma criança,
Quando olha pela primeira

Vez o céu, larga a mão da
Mãe e ganha a noção de si,
Apetece ser homónimo da
Paisagem e do pertencer ao

Solo que me viu nascer, ao
Enigma que é ter vida, lugar
No movimento dos astros,
Apesar de não os vermos,

Acontece olhar o céu parado
Em mim e sobre, ao lado,
Consciente do meu fim,
Começo por isso a existir

Livre,natural espontâneo
Espantado e criança,livre enfim...




Jorge Santos (01/2017)
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Redentor Rei-Cristo ...






Será Jesus Rei-Cristo,
Quanto mais vivo,
Mais singular sinto
Minha alma desigual,
Semelhante ao Cristo
Rei do Pão-de-Açúcar
Espantando turistas tolos,
E passarinhos pombos,
Quando comem alpista,
Das mãos e bochechas,
De Jesus Cristo-Rei,
Do alto do Açúcar-Pão,
E um povo sem ter,
Ao vivo quanto muito
Igual a uma migalha
Na palma da mão ou o rosa sal, 
Dos donos destas Nações
De mansos tal esta
Alma Lusitana, singular
Igual na mansidão e uso
Eu digo não ,eu digo não
Eu digo um não profundo
E a isto…
– Será Cristo-Rei Jesus da dor,
Quanto mais vivo,
Mais singular sinto,
Minha alma “inigual”,
Semelhante ao Cristo,
Rei do Pão-de-Açúcar,
Espantando turistas 
E passarinhos pombos,
Quando comem alpista,
Das mãos e bochechas,,
Pouquíssima gente
Sabe disto …
Será Jesus Rei-Cristo

Palavras nuas





Há palavras que são nuas como ferimento
Em carne viva, irreconciliáveis com o ar frio,
Como a ciência e a alquimia, lido com todas
Em determinados períodos da vida, 

As significâncias são as que emprego,
E não aquela que vem nelas expresso
Por defeito e o que for preciso nem digo,
Toco no cabelo, esboço um sorriso 

E sigo ...


Jorge Santos (01/2017)
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Fácil é sonhar, repetindo ...




Fácil de sonhar,
De gostar fácil,
Difícil encontrar
Na lua o curvo

Da terra azul e frágil,
Fácil é de gostar
Difícil é redesenhar
O sol na terra, ao cubo,

Táctil o mundo,
Mas não tudo
O resto, o mistério
Do pensar ser eterno,

Fácil o sonhar,
Dizer é vago, falácia
E o pensar é nada,
O difícil é despertar

Dum sonho repetido...



Jorge Santos (01/2017)
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Dá inveja, a gaivota a gritar.





Dá inveja, a gaivota a gritar
A inércia e o voo, grita no meu corpo
A consciência do que sinto deter-me,
O ar, acaso sonhasse ser outro

E fazer deste corpo parte, o voar 
Qu'inda não é tarde pro voo suave
Ter lugar neste peito publico
De feijão-frade, verde-frio e vácuo, 

Que seja ele bíblico ou não, sossego
E prossigo, persigo a inércia do voo
Quero-o comigo e melhor que o sonho
É o sonhar do ir e vir do vento.

Dá inveja, a gaivota a gritar
Fio de prumo sobre-o-mar, o cais,
A tempestade e a bonança, 
Ousarei eu voar até onde ind'há 

Esperança e ar se'inda não é tarde,
Suave o corpo d'ave espírito da voz,
Inércia do voo, sofro da condição
Que sirvo, servo de um chão duro,

Não me alivia, oprime saber e vida voa
Independente de obra minha,
Palavras são vento em cabelo.
Consciência o que sinto, persigo-me dentro ...



Jorge santos (01/2017)
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Monção




Não digas coisa alguma, 
Apenas que é tarde, o resto
Só metade é dizer, a outra
(Os meus sentidos poucos)
È falso e o falar está gasto
Ou é coisa nenhuma,

Não digas apenas alguma 
Coisa, a vida é chuva e o vento
Corre corre sem alcançar coisa
Alguma, sem alguém que
O siga pra onde se diz q'vai
E não volta,

Apenas é tarde pra quem 
Diz que saudade é ficar,
Supõe que o dia é sonho fixo
E a forma de acordar é sonhar
De novo como se não passasse
Dum pequeno sonho 

O nosso dum outro em uso,
Não digas coisa alguma, 
Apenas é tarde e dorme dentro
A parte de mim que é nada,
Nem a outra é toda desta Terra
Amarga,

Mas lá cima atada, toda chuva,
Alma é vento seco e monção
O oficio que tem esta é o inútil e o vazio,
A que outros têm é tudo
Quanto eu desejo ou quisera ser,
Sonhar é o engano, o logro e o nada ...




Jorge santos (01/2017)
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"Deo-ignoto", Ateu




“Deo-ignoto”
Sendo dos que na força de irem tudo põem, 
Não inspiro nem acho o sítio onde ir e estar,
Sala ou quarto de Lua ou penhasco, tudo é
Falso, andaime ou lusco-fusco o que me fiz
Ser, quanto ao sítio, figuro que não existe
Nem desejo há, de tê-lo ante mim tendo-o
Onde não chegarei mais. nem estes covardes 
E estéreis cotovelos, castrado eunuco sou
Eu, sopé do mundo, rude-hebreu, “Deo-ignoto”
Ateu, consola-me conviver com a chuva-triste
E a sombra do que não existe mas se admite
Como sendo silêncio físico, crepúsculo e magia,
Sendo dos que na força de irem tudo põem,
Comporto-me segundo a intuição e não a ciência
Como instituição palpável probatório fixa
E o ir faz parte da descontaminação e da educação
Do fugir ao vulgar e à vulgaridade do sítio a fingir,
A fuga cria a diferença entre o criador e o incriado,
Invisíveis mas pares na arquitectura íntima
De todos os sonhos que tenho na beira do mundo.


Estranhos cultos ...





O que tememos ter é sentires ocultos, estranhos ...

O que tememos é ter sentidos diferentes,
Ocultos em tudo o que sonhamos e ser
Estrangeiros na global casa e na nossa,
Embora íntimos quanto do acorde a viola,

O que temos é sentidos efémeros,
Tão breves, tão tímidos por vezes
Que nem sentimos ter e quantos,
Quanto mais pensar que possa haver

Sentidos sem intenção outra menos perene
Ou fé mansa de sentir e sentir somente
Sob qualquer recolhido véu, céu, derrota
Ou dó, assim como sentir que passa

Uma sombra, sem a lembrar de ver, possamos 
Apenas sentir no ar o correr do vento,
Tão breve quanto oculto e mudo,
Tão só temos sentidos efémeros, imperceptíveis

Quanto o real é ser uma espécie de visão
De sonho comum, no fundo nós
Somos o que sentimos, transitórios, passionais
E terrenos embora sejamos passageiros

Do que nada sabemos, sentimos
Como vivendo ao vivo nossos sentidos
Tímidos, íntimos do que a alma sonha,
Efémeros quanto belos ...sejamos estranhos

Bastante, desajustados sensoriais, sensacionais,
Não tenhamos receio de sentir demasiado .




Jorge santos (12/2016)
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A-Marte






Por ti fundei o movimento dos corpos 
E o drama dos quiscentes da alma,
A consciência que morro cada passo ou
Momento que passa, por ou sem querer,

Por ti fundei uma torre chã que nem negro
Cedro ou como fosse giesta escura,
Assim o breu e a noite negra tricotada.
Por ti fundei o ar e o chão que em volta

É frio como deve ser o frio e o ter corpo,
Movimento e consciência da morte.
Por ti fundei o sentir que escapa ao espaço,
Ao cujo que na alma reconhece

O tom ou a cor dos cedros parecendo aço que 
Por ti plantei ao longo dos caminhos, no topo,
E o movimento nos astros que tremem
Por, ou sem querer ser mudos, apenas sóis 

Por nós alcançaveis, alcançareis um deles,
Longe a consciência da morte, antecipo
O futuro longe, longe, longe, longe
Em Marte ...Por ti fundirei o aço ao enxofre...



Jorge Santos (11/2016)
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pra sempre ...






Sigam os nossos pés ciganos
Por onde sigam pisamos
Incondicionalmente e sempre
O mesmo chão de filhos e netos.

Há que aprender o voar secreto
Das aves no paraíso supremo
Pra suspender os pés no ar
E aliviar as pegadas do peso 

Em excesso e que cresce dia 
A dia quando caminhamos
Calçando os sapatos de sempre
E os mesmos de toda a gente, 

Ciganos são os pés meus que sigo,
Por onde prossigamos nossas vidas
São os espíritos e não nós quem 
Caminha ou se voamos na mente

De nossos netos e filhos pra sempre,
Incondicionalmente suspensos
Nas estrelas e nos horizontes céus
Não somos nós, é o voar de quem

Aprendeu das aves o segredo
E caminha sem peso nas madrugadas
E ao anoitecer e em todos esses céus
De fogos suspensos pra sempre vivos,

Pra sempre ...


Jorge Santos (10/2016)
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Conseguisse eu ...




Conseguisse eu conversar
Num peculiar, anónimo 
Ou mesquinho remédio
Anódio, placebo sem efeito
Quanto a melodia 
Que tenho vindo a cantar
No meu canto peculiar
Vago, conseguisse eu
Dar a um bardo encanto
Que conduzisse a vontade quando
Alheia ao que falo sem efeito,
Pois se tudo o que digo respiro
De verdade como converso
Em estrangeiro, 
Essa língua materna
Da ilusão que se sente
Numa única frase, 
(Se a quisermos achar)
A melodia que tenho vindo
A cantar,
Conseguisse eu,estrangeiro
Achar-me na vossa alma
Peculiar quanto baste
E branco …
Jorge Santos (10/2016)
htp://namastibetpoems.blogspot.com

Aquando dormem as estrelas ...






Aquando dormem as estrelas, 
Dedico a alma a evocar o dia
Na quinta que rodeia o coração
Meu, como um mundo onde existo

E sou seu ,aquando dormem as 
Estrelas consigo pôr a alma fora
E a noite dentro do peito,evoco
O dia por receio de não amanhecer

Numa parte da alma e não em todo o céu,
Aquando dormem as estrelas em
Minha roda a lua é minha esposa,
Minha terra e esta alma confusa

Dedica-se a evocar o dia que destrói,
Tal como se fosse nação da guerra,
O sol, embora sendo igual o pó
Desta terra e os escombros que tem,

Aquando dormem as estrelas, no céu
E em mim repousam ou dançam de roda
Evocando o que há-de o ser novo dia
E é vida, antes coisa nenhuma,

Aquando dormem as estrelas, nos montes
Meu coração corre e canta ao meu ouvido
Coisa alguma, suposto seria eu escutar
Quanto o coração sonha dentro, em mim 

Vigia meu sonhar único, colado ao ouvido
Atento, na penumbra aquando dormem
as estrelas e o céu rebola e rola ...



Jorge Santos (09/2016)
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